

OS NOVOS SAMARITANOS
Quem ainda não caiu nos resvaladouros do erro?
Quem ainda não se viu forçado a reerguer-se de muitas quedas?
Tange as fibras do coração e estende a indulgência, servindo aos companheiros que o açoite da provação flagela e vergasta.
Ei-los que surgem por toda parte:
O doente recluso no manicômio, expirando à míngua de luz, no crepúsculo da existência......
A jovem acidentada cujos olhos empalidecem par não mais fitarem o azul do céu...
O moço que ostenta a saúde a brincar-lhe no corpo e a irreflexão a empurrar-lhe a alma para os antros do vício...
A mulher que resume ao mesmo tempo a ternura de mil mãezinhas, ao enlaçar o filhinho amado e enfermo, desfalecente e já sem forças para chorar...
O homem de passo errante que se estira em descanso sobre passeios e bancos da via pública, tentando conciliar o sono sem sonhos do supremo infortúnio...
O cultivador do solo, preso a dores antigas e que não troca de vestimenta há vários meses de intensa luta...
A dama elegante e bela que traz o coração repleto de enganos sobe o colo estrelado de jóias...
O ébrio de olhar sem brilho e de lábios sem cor, que avança para o sepulcro, cambaleando aos soluços dos filhos entregues à ignorância e à necessidade...
A velhinha encarquilhada que ainda busca coser farrapos de velhos sonhos...
O sentenciado infeliz cuja consolação é somente ouvir a orquestra dos passarinhos sobre as telhas do cárcere...
Construindo o bem sem alarde, no sublime anonimato do amor fraterno, os espíritas podem e devem ser os novos samaritanos, em plena vida de hoje.
MINHA REFLEXÃO
Um dia da semana, da quinzena, do mês, podemos escolher para fazer um trabalho desse que ajuda a muitos a passar pelos momentos que passam em dificuldades de saúde, física ou mental, pela solidão, passando fome ou em risco da marginalidade ou prostituição, refletindo sobre o mal feito as pessoas, em presídios.
Podemos ser os novos samaritanos inspirados na parábola de Jesus quando nos ensinou que a caridade é a “condição absoluta da felicidade futura" (Item 3 do Cap. XV do ESE – Intitulado FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO).
Lendo o Item 3, transcrito no rodapé dessa postagem, concluímos que a CARIDADE é muito mais que fazer visita aos doentes e desvalidos de toda sorte; é muito mais que dizer ser dessa ou daquela religião. A caridade é o nome de um grupo de virtudes que nos levam ao Reino de Deus como sendo um estado de espírito que devemos perseguir representando no final a FELICIDADE ETERNA: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Não é pouca coisa, mas Deus nos dá todo o tempo da eternidade para conseguirmos essa condição...
Uns atingirão mais rápido que outros pela ESCOLHA que fizer visando o melhor para sua vida, mas, outros, ainda reticentes, ainda vão ainda penar bastante para despertar para caminhos mais retos, lembrando que depois da vinda de Jesus Cristo à Terra, já se passaram 2000 anos e ainda nos mostramos ainda vacilantes nessa ESCOLHA como se a FELICIDADE não dependesse dela.
Ainda fazemos muito mal a nós mesmos, retardando nosso progresso e a FELICIDADE ETERNA que o próprio JESUS prometeu e que é tão sonhada e poementizada por tantos, como se fosse apenas um ideal e não algo real, como se fosse alcançada somente por aqueles que nasceram com esse dom, indo de encontro com a JUSTIÇA DIVINA, que é imparcial e soberanamente JUSTA[2].
Finalizando, deixo uma passagem de Davi, em Salmos, 32: 1-2, que nos adianta, já no seu tempo, que todos têm direito à felicidade. Entretanto, na visão espírita, tendo o Espírito já percorrido e estando percorrendo caminhos ainda muitos comprometedores, pode ainda almejar a FELICIDADE ETERNA, desde que trabalhe nesse sentido, praticando a caridade e, ainda mesmo que doa e, para muitos, que doa muito, pelos males que causou a muitos e a si mesmo: Como é feliz o homem que tem suas desobediências perdoadas e seus pecados cobertos! Como é feliz o homem cujos pecados Deus apagou e está livre de más intenções em seu coração.
PAZ E ALEGRIAS!
QUE DEUS ME AJUDE!
[1] Item 3 que comenta o Item 2. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura. No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade reservada ao justo e da infelicidade que espera o mau. Naquele julgamento supremo, quais os considerados da sentença? Sobre que se baseia o libelo? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia assim: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas como a condição única. Se outras houvesse a serem preenchidas, ele as teria declinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.

